sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Devaneio # 37
domingo, 16 de janeiro de 2011
sábado, 1 de janeiro de 2011
010100400191595

Há quem lute visceralmente pela posse de verdades que, queira ou não, brevemente lhe escaparão pelas mãos. Penso numas quantas certezas, questões e desejos ilegítimos relacionados ao ego que, paranoicamente, a dimensão social impõe ao indivíduo, que ainda o consumo e a propaganda distorcem e proliferam incessantemente. Por estes, o que é irrefutável num instante não tarda a tornar-se dúbio e cair por terra logo que uma novidade que se oponha, por mais efêmera que se apresente, passe a integrar os parâmetros da análise ou mesmo os supere por completo.
Seguindo a lógica, porque concentrar-se em aspectos tão voláteis quanto erráticos, como os sociais e mercadológicos, para orientar nossos devires? Neste ponto Nietzsche colabora extrapolando as motivações e efeitos do entendimento desta questão em um de seus aforismos escritos em Para além do bem e do mal:
“Uma coisa que se esclarece deixa de nos interessar. - Que queria dizer o deus que aconselhou: "Conhece a ti mesmo"? Isto significava talvez: "Deixa de interessar-te por ti! Torna-te objetivo!"- E Sócrates? - E o homem científico?”
Imagino que o velho Fritz conheça o substrato lascivo do pântano em que se embrenhará exaustivamente, à custa de sua plena e positiva evolução, aquele que dedicar-se a busca de respostas genuinamente interiores para explicar seu desconforto em confrontar aquilo que, segundo a portentosa moral da vontade de poder, deveria ser regra inata e inquestionável, virtudes intrínsecas e naturais da espécie humana. No entanto questiona a conotação negativa, de egoísta ou egocêntrico, que normalmente recebe o comportamento introspectivo quando contrapõe a pratica diligente destas virtudes, que tantas vezes foram, e continuarão sendo, descontextualizadas e recorrentemente impostas de modo indevido como compaixão autômata, ou ainda, servidão direcionadas ao socious, buscando nada além da inércia e manutenção da ordem, opondo a tal determinismo jornadas verdadeiramente louváveis que se direcionaram neste sentido.
Mas além, vivemos numa época diferente daquela, caracterizada por entre outros aspectos, a exuberante sedução da propaganda, a quantidade e velocidade dos fluxos de informação e a contínua expansão e dinamização das redes sociais. Uma amostragem empírica ilustra como todas estas dimensões, em constante movimento e transformação quase sempre orquestrados pelo capital, geram um quadro de insegurança cada vez maior e menos solucionável, coibindo progressivamente o pensamento próprio em oposição à idéia do que, convenientemente num dado momento, é postulado como natural.
Tal estado, embora induza-nos a pensar assim por seu impressionante alcance e amplitude, não me parece ter sido um evento deliberadamente construído, por um país, uma seita, um conglomerado de corporações ou qualquer espécie de poder centralizado, mas sim resultar do acúmulo de inúmeros estímulos de diversas fontes. As grandes instituições colaboram grandemente superpovoando o universo simbólico possível com novíssimos ícones e significados sempre presentes em suas propagandas, campanhas religiosas, tão numerosas e sucessivas quanto efêmeras febres e modas inventadas pelas mass-mídia, o estado de tensão criado pela mistificação e multiplicação das dimensões da violência e do terrorismo, dentre outros.Convém, no entanto, recordar que no fim da cadeia, no lado receptor, somos nós a alimentar a mídia e por mais impressionáveis e acostumados a engolir tudo o que ela nos serve processado e enlatado, podemos ou não selecionar e reforçar o que consumimos. Pode parecer uma luta desigual, mas cabe aqui lembrar um conceito de Guattari sobre o efeito de subjetividade coletiva em que explica, enfatizando toda a aleatória e ininterrupta sorte de estímulos que recebemos, como várias pessoas isoladas em distintos lugares, com diferentes vivências e concepções, obtêm soluções equivalentes para seus problemas ou dilemas, construindo desejos, perguntas e pensamentos estranhamente semelhantes.
Sem me alongar desnecessariamente, penso ser tão difícil quanto fundamental formular, dentro das possibilidades, a pergunta mais lógica, conveniente, satisfatória e produtiva. Por outro lado, passada a pequena prostração em não realizar o que momentaneamente lhe toma toda a atenção e aspirações, seja por meio de técnicas de comunicação ou apelações fenomenológicas genéricas, esquivar-se das oportunidades e atrativos, inoportunos e inúteis ,que cruzamos em qualquer busca, parece ao contrário bastante fácil e coerente.
...
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Raven Land's Rebirth...
aqui está para começar mais uma etapa de atualizações do RAVEN LAND!
Gostaria de iniciar com um FELIZ NATAL e um "Seja SOLIDÁRIO e CORDIAL com o PRÓXIMO SOMENTE nos dias festivos do ano, de preferência se forem referentes a algum DOGMA imposto pela FALTA de RACIOCÍNIO"!
^^
C'est un bon début.
domingo, 25 de julho de 2010
O silencio de uma eternidade
Um texto escrito há algumas semanas, logo que cheguei a Goiânia... Não é muito conclusivo, mas nunca o pretendeu ser. Estava angustiado pela falta de escrever...
Será a redundância a realização plena de qualquer potencial?¹
Um bom desenhista o seria apenas por crer em sua capacidade? Sua autoconfiança seria suficientemente convincente a ponto de ludibriar outrem com sua habilidade porvir?
Muitas vezes se ouve dizer que o trabalho e a prática são os responsáveis por refinar e aperfeiçoar, construir, portanto o sentido dos esforços realizados... Mas como seria possível praticar algo que não se pretende ser construído seguindo um modelo, mas sim causado espontâneo e naturalmente a partir de um problema específico qualquer?² Nesta análise poderia chamar de problema, por exemplo, o desanimo causado pela percepção da limitação técnica verificada ao se experimentar velhos hábitos? Ou seria problema maior e mais recompensador considerar o próprio tema da fixação egoísta de considerar apenas questões ligadas ao EU?
Busco então o suficientemente importante, interessante e proveitoso para desenvolver meus esforços, e eis que mais dúvidas surgem...
Uma vez atrofiada pela falta de prática, não seria absolutamente limitante a capacidade de transitar em tantos campos da percepção quantos o problema vislumbrado se espalhe? Quem dirá os descrever ou ainda desenvolver?
Ocorre-me que de qualquer forma tudo pode ser reescrito, mas não sem ser repensado, portanto conduzido a outro lugar no fim. Concluo que ir além deste desejo, de ser conduzido a algum outro fim, é de fato impossível agora. Tampouco é desejável permanecer aqui.
Problematizar a imposição de sentido, por exemplo, é um grande passo para qualquer um que não tenha ferramentas e práticas bem afiadas, e seus esforços mais empenhados seriam básicos e superficiais se comparadas a qualquer literatura básica sobre o tema. Poderia dizer num estágio “embrionário” em que o sentido de tal ensaio conformar-se-ia de modo a se converter absolutamente pertencente ao conjunto de conceitos que a idéia previamente desenvolvida constitui.
Focalizemos o pensamento embrionário como uma anedota, ele é inacabado, comovente como um bebê e tem a ilusão ou esperança de um devir. Uma vez lançada, a idéia embrionária sempre toma a forma estabelecida daquilo que a influencia. Ou seja, ela é mutante. Mas é quando a idéia embrionária começa a caminhar que adquire novos contornos, é aí que reside a capacidade de progredir em relação à forma de sua influencia primária, a possibilidade de inclusão de novas influencias de modo a registrar cada uma nova nuance e forma na idéia em produção.
Penso ainda em reprodução...
1 - Enxergo o potencial claramente como uma idealização platônica de alguma capacidade, portanto alcançá-la de fato não compreende contribuir construtivamente naquele campo em que se pretende atuar, mas sim conformar seu talento a uma mera imagem prévia e preestabelecida daquilo que todos supostamente acreditam, muito embora ninguém tenha presenciado um tempo em que tal idéia não fosse estabelecida.
2 - O uso do cânone moderno do funcionalismo, de que tudo segue sua função, a solução do problema, não pretende aqui ser utilizado como uníssona característica, limitante, do esforço realizado.



